Meio ambiente é o foco do blog produzido por alunos do 6º período de Jornalismo da PUC-Campinas, resultado da disciplina Jornalismo On Line.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Telhados brancos podem reduzir temperatura do planeta

Pedro Leão

Você sabia que em Campinas existe uma lei que incentiva a pintura e troca dos telhados das casas pela cor branca? É é a lei 13.894, sancionada pelo prefeito Hélio de Oliveira Santos, em julho deste ano.
A lei tem como objetivo diminuir o aquecimento global. Segundo a ONG Green Building Council Brasil, com a pintura dos telhados de branco, haverá uma redução no gasto com energia para o resfriamento dos imóveis por refletir mais luz solar e absorver menos calor, pois a maioria é escuro e reflete apenas 20% da luz solar.
A ONG afirma que as áreas urbanas, chamadas de ilhas de calor, apresentam cerca de 1 a 6°C a mais do que as regiões rurais. Isso é resultado da retenção de radiação da luz solar pelos edifícios e o calor gerado pelo uso de energia elétrica.
Com o aglomerado de pessoas, a cidade de Campinas se encaixa no perfil de “ilha de calor”, o que fez o vereador Zé do Gelo (PV), propor a lei na Câmara Municipal. “Vimos que Campinas também poderia contribuir para minimizar os efeitos do aquecimento global”, afirma o vereador.
O vereador se baseou em estudos de pesquisadores da Lawrence Berklay National Laboratory, da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo as pesquisas, dez edifícios da cidade da Flórida foram monitorados, e revelou que o uso de telhados frios poupa, para moradores e proprietários, de 20 a 70% do uso anual de energia de resfriamento, ou seja a diminuição do uso de equipamentos como ar condicionado.



Pintar o telhado de branco reflete de 80 a 90% da luz solar incidente

Em Campinas, casas em condomínios fechados do bairro Gramado, fizeram o teste e pintaram seus telhados de branco. A arquiteta, Lígia Chiaramonte, foi uma das que aderiram a iniciativa. “Fiquei sabendo dessa pesquisa através de colegas de profissão e de revistas especializadas em arquitetura. Com toda essa preocupação e moda de ‘casa sustentável’, resolvi tentar”, conta.
Para a arquiteta Chiaramonte, o ideal seria a troca dos telhados convencionais, pelos da cor branca. “O problema do telhado pintado é justamente a tinta que se descasca. A pintura ajuda no começo, mas depois de um ano tem que repintar. Enquanto o telhado branco basta uma limpeza a cada três ou cinco anos”, explica.
Segundo Chiaramonte, que pintou sua casa no começo do ano, os resultados já foram percebidos. “Já tive uma pequena redução na conta, mas acredito que com o horário de verão, a tendência é acentuar os resultados”, analisa.
Mas com estudos comprovados e a lei aprovada, porque o assunto é tão pouco divulgado? De acordo com o vereador Zé do Gelo, a lei foi aprovada como um incentivo e não pervê nenhum tipo de
Abono tributário ou subsídio por parte da prefeitura. “Aprovamos como uma forma de campanha, a lei não é obrigatória, depende de divulgação”, afirma.
Para a divulgação da campanha é preciso parcerias com a iniciativa privada. “Nós montamos uma cartilha para que pudéssemos divulgar nas escolas. A prefeitura se comprometeu a disponibilizar agentes que divulguem a lei, mas ainda temos que encontrar parceiros que banquem o custo da cartilha”, diz o vereador.

Cemitérios oferecem risco à saúde e ao meio ambiente

O necrochorume, líquido liberado com decomposição do cadáver, contamina lençóis freáticos

Paula M. Guerreiro
Mesmo depois de mortos, os seres humanos ainda podem poluir o meio ambiente. Nos cemitérios onde não há mecanismos de proteção ambiental, o líquido liberado pela decomposição do corpo humano, chamado necrochorume, contamina o solo e os lençóis freáticos, podendo transmitir doenças como hepatite A, tuberculose e escarlatina.
Apesar dessa ameaça, que atinge principalmente pessoas de baixa renda que fazem uso de poços clandestinos, cemitérios públicos e particulares ainda ignoram a gravidade do problema. Essa é a conclusão a que chegou o hidrogeólogo Leziro Marques Silva, que nos últimos 35 anos pesquisou mais de 900 cemitérios no Brasil e no exterior. “Desse universo de cemitérios pesquisados, de todos os municipais, 75% apresentam problemas de ordem tanto ambiental quanto sanitária”, afirma.
O pesquisador explica como o cadáver humano pode representar risco à saúde dos vivos. “Porque o necrochorume é vertido pela matéria orgânica em decomposição, ele é rico em nutrientes que proliferam uma assembleia de vírus e bactérias, inclusive as bactérias patogênicas, que são as causadoras da maior parte dos óbitos. Se esse necrochorume escapa do túmulo, entra na circulação do lençol freático. Se no meio do caminho desse lençol freático, existe um poço escavado, uma captação, uma fonte, uma pessoa que inadvertidamente consuma essa água, e se ela estiver com a imunidade natural baixa, ela pode ser acometida por uma dessas doenças infecto-contagiosas”, explica Silva.

Fiscalização - A irregularidade dos cemitérios em todo o país deve ser sanada logo. Faltam dois meses para chegar o prazo determinado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), do Ministério do Meio Ambiente, para que todos os órgãos estaduais e municipais de meio ambiente estabeleçam critérios para adequação dos cemitérios existentes desde abril de 2003, de quanto data o primeiro texto da resolução.
Até dezembro deste ano, os cemitérios terão que adotar medidas que garantam um sepultamento ecologicamente correto, além de se comprometerem a reverter a contaminação que já tenha sido causada. Caso contrário, correm o risco de serem lacrados.

Cemitério de Cosmópolis, que foi o primeiro da RMC a adotar um mecanismo de proteção ambiental

Solução possível - Cosmópolis foi o primeiro município da Região Metropolitana de Campinas (RMC) a adotar um mecanismo de proteção ao meio ambiente e à saúde. Desde abril deste ano, todos os cadáveres enterrados no cemitério municipal são colocados sobre uma manta protetora, que forra o caixão, impedindo o vazamento do necrochorume.
Segundo o supervisor técnico do cemitério, Maurício Jorge, o invólucro é constituído de um material absorvente, que retém o líquido liberado durante a decomposição humana. “É uma forma de proteger o meio ambiente, sem causar constrangimento à família, diferente de propor qualquer outro tipo de sepultamento que exigisse preocupação dos familiares, em um momento tão delicado”, afirma.
O invólucro ainda não tem produtos similares no mercado e seu preço varia entre 28 e 57 reais, dependendo do tamanho do cadáver. “Mas não mudou a taxa que é cobrada pelo cemitério. Só a partir do ano que vem, que vai haver um reajuste se realmente for necessário”, explica Jorge.

Sustentabilidade para todos os bolsos


Eduarda Giacomello da Silva


Um dos assuntos mais abordados nos últimos tempos em todo o mundo é a sustentabilidade. Formas de não agredir a natureza sem deixar de lado o progresso e o desenvolvimento tecnológico são foco constante de pesquisa nas mais diversas áreas, especialmente a construção civil e a arquitetura, que buscam vantagens não só ao ambiente, como também ao bolso e ao bem-estar de seus consumidores.
Foi a preocupação ambiental e a curiosidade por construções alternativas que levou as sócias Maira Del Nero e Juliana Bôer a criar, em 2002, o primeiro, e até o momento único, escritório voltado a projetos de arquitetura sustentável de Campinas. “Resolvemos estudar bioarquitetura, depois disso começamos a tentar incluir esse conceito de uma maneira mais urbana e menos alternativa” conta Maira.
Segundo o engenheiro Éderson Augusto Zanetti, essa vertente da construção civil se encontra em um processo em evolução, que enfoca estratégias inovadoras para atender a necessidade do público, sempre aproveitando o que o espaço natural tem a oferecer. Já para Del Nero, o ramo é, hoje em dia, uma necessidade para a sobrevivência da vida urbana. “As cidades e seu metabolismo são as grandes responsáveis pelo consumo de materiais, água e energia, sendo assim razoável pensar que, em um futuro próximo, continuarão a produzir grande impactos negativos sobre o meio natural”. No entanto, existem dificuldades a serem enfrentadas. A primeira é a necessidade de popularizar a arquitetura sustentável. É pequena a parcela da população que tem conhecimento e, dessa parcela, grande parte tem a ilusão de que ter uma casa nestes parâmetros é apenas viável àqueles que detém maior poder aquisitivo, mito desmentido pela arquiteta da Cria Arquitetura. “É possível para todas as camadas [construir de forma sustentável]. Temos alternativas viáveis e algumas mais caras, mas tudo adaptável à realidade do cliente. O ideal é ter alguém com conhecimento para tomar as decisões corretas dentro de cada projeto. Não é receita de bolo, cada caso tem uma solução especifica”, frisa Maira.

As arquitetas Maira Del Nero e Juliana Boer em ambiente sustentável criado por elas.

A arquitetura sustentável demanda uma preocupação maior com o projeto que deve ser desenvolvido de maneira integrada com todas as outras pessoas envolvidas na construção. O arquiteto que se propõem a projetar dessa maneira tem que ter domínio do assunto para poder gerir todo o processo e tomar as melhores decisões em cada situação. É neste ponto que surge outra questão importante: a formação do arquiteto, que hoje é incompleta em relação a sustentabilidade. ‘Quem realmente quer trabalhar com isso precisa se especializar”, aponta Éderson Augusto Zanetti.


Biocombustíveis: uma solução renovável

Mariel Ottati Marte

Como alternativa ao uso de combustíveis fósseis, a Universidade Estadual de Campinas desenvolve várias pesquisas com o objetivo de criar uma fonte de energia viável e renovável. Na Faculdade de Engenharia Agrícola, o curso de pós-graduação em Biocombustíveis, criado em 2008, aprofunda as pesquisas para que possam ser aplicadas em um futuro próximo, como forma de aliviar os impactos ambientais provocadas pela queima de combustíveis fósseis.
De acordo com o coordenador de pesquisas da FEAgri, Antônio Maciel, as vantagens dos biocombustíveis são inúmeras. “A primeira e principal vantagem é que estes combustíveis são processados a partir de matéria prima renovável, ou seja, o gás carbônico eliminado pela combustão é reabsorvido pela própria planta que dará origem novamente ao combustível”, afirma.
Outra vantagem em relação aos combustíveis fósseis é que o combustível de origem vegetal libera em média 40% menos gases nocivos ao meio ambiente como, por exemplo, dióxido de enxofre e alguns óxidos de nitrogênio, além do próprio CO2 que volta para o ciclo da matéria prima do bicombustível.
Além disso, o manejo e transporte do combustível vegetal trazem menos risco para a sociedade, como os desastres ecológicos que aconteceram recentemente. Apesar de todas as vantagens dos biocombustíveis, o custo de produção ainda é elevado em relação à produção de gasolina e diesel a partir do petróleo. Em contrapartida, a tendência é a redução das reservas petrolíferas por meio sa superexploração e, assim, o custo tende a aumentar gradativamente.
No Brasil os principais componentes da produção de biodiesel e etanol são a soja e a cana-de-açúcar, sendo que 95% da produção de soja está direcionada para o mercado de óleo vegetal de consumo humano. A substituição das culturas de produtos alimentícios pela soja e a cana, por exemplo, é que a monocultura extensiva modifica toda a estrutura do solo enfraquecendo-o e elevando os custos de recuperação da terra para o próximo plantio. Ou seja, do ponto de vista ecológico este tipo de cultura é altamente agressivo ao meio ambiente. O país possui em abundância terras cultiváveis e mão-de-obra relativamente barata, mas a preocupação é com o futuro próximo. “A produção de bicombustíveis começa a prejudicar o meio ambiente e perde a sua essência”, afirma Maciel.
Hoje se pesquisa mais sobre matérias primas para a obtenção de biodiesel: a viabilidade econômica, social e o custo de produção influenciam diretamente na escolha do melhor caso para a utilização no processo de fabricação do bicombustível. Os trabalhos mostram que o caroço de algodão é mais competitivo entre produtos avaliados.
O pesquisador da Escola de Engenharia de São Carlos, Vitor Tedesco, é pós-graduado em biocombustíveis pela Unicamp e afirma que o trabalho tem por objetivo integrar a sociedade ao meio ambiente, numa evolução sustentável. Um exemplo é a obtenção de biodiesel a partir de óleo de cozinha descartado, reciclado e transformado em bicombustível. “Conseguimos reciclar o óleo saturado e melhoramos o rendimento da transformação de 86 para quase 95%, ou seja, cada litro de óleo saturado rende 950 ml de biodiesel”, compara.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A onda verde chega à beleza

Maíra Bentim

Segundo dados da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o Brasil ocupa o terceiro lugar no mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, ficando atrás apenas dos EUA e Japão.
Em função de preocupações que podem (e devem) passar pela cabeça dos consumidores, como a origem dos ingredientes utilizados para produzir shampoos, sabonetes e cremes, as empresas de cosméticos se preocupam cada vez mais em inserir na composição de seus produtos ingredientes que sejam naturais e respeitem a natureza.
O Guia de Controle de Qualidade de Cosméticos, uma parceria entre a ABIHPEC e a ABC (Associação Brasileira de Cosmetologia) sob coordenação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), busca justamente isto: ser uma referência no mercado para garantir que somente produtos com qualidade e segurança adequadas cheguem até os consumidores.
Entre os produtos preocupados em oferecer ingredientes verdes está a linha Ekos da Natura, que busca o uso sustentável da botânica brasileira. Esta linha cresceu gradativamente até atingir a posição que ocupa atualmente: a linha que mais vende da Natura, segundo a consultora Andréa Agenor. “A linha Ekos oferece tratamentos para mãos, rosto e corpo. Os óleos vegetais trifásicos são menos concentrados, para manter o ph da pele, e os sabonetes possuem ingredientes com uma hidratação maior”, diz.
A estudante Mariana Radaeli afirma que procura sempre adquirir cosméticos verdes e que sabe dos cuidados que deve ter ao escolher um produto de beleza. “Nem sempre é possível, mas busco comprar coisas que eu sei que são naturais”, conta.
Por outro lado, os cosméticos não são completamente inofensivos ao meio ambiente. O biólogo Luiz Gustavo Ferreira conta que componentes químicos, alguns deles utilizados em produtos de beleza como shampoos e cremes hidratantes, podem trazer prejuízos à natureza. “Assim como qualquer químico, aqueles presentes nos produtos de beleza e higiene também podem afetar o meio ambiente, trazendo contaminações ao solo ou à água”, diz.


História dos Cosméticos - O vídeo A História dos Cosméticos, produzido nos EUA em 2010, é um projeto do website The Story Of Stuffs (A História das Coisas) em parceria com o Free Range Studios, que promove uma campanha para cosméticos seguros. O vídeo trata da questão da nocividade dos cosméticos que são usados frequentemente, do que estamos oferecendo a nosso corpo e o quanto estamos agredindo o meio ambiente quando optamos por usar determinado produto.







terça-feira, 19 de outubro de 2010

Conscientização feminina gera planeta saudável

Laura Monsef


Absorvente de silicone, uma nova adaptação das mulheres


Mooncup, uma nova opção de absorvente interno

Grande parte das mulheres no ciclo menstrual, passa por algumas situações desconfortáveis, mas algumas alternativas vêm surgindo com adaptações e diferentes modelos. Uma nova solução que está sendo bem aceita é o mooncup - "copo da lua", um copo menstrual reutilizável que tem por volta de 5 centímetros de comprimento e feito de silicone.
O mooncup é usado internamente como um absorvente interno tipo o.b., porém coleta o fluxo menstrual ao invés de absorvê-lo. Diferente dos absorventes internos o produto não é descartável e pode ser usado por um período indeterminado, higienizando-o. O processo para reutilizá-lo é muito fácil e simples, após o uso basta ferver durante cinco minutos em uma panela aberta, até que ele se esterilize.
A nova adaptação não interfere na saúde íntima da mulher e busca a intenção de respeitar o meio-ambiente e poupar dinheiro. Ele é recomendado para ser usado tanto em exercícios físicos quanto em viagens e no período noturno.
Segundo a ginecologista Marina Ferreira, “a superfície macia do mooncup permite que o muco das membranas da parede vaginal continue a exercer suas funções essenciais de proteção e limpeza. Não absorve os mecanismos de defesa natural do corpo e não deposita fibras na parede vaginal”, frisa. Ele é constituído por uma linha médica especial de silicone não alergênico, derivado da sílica, um dos minerais mais abundantes na terra.
O “copo de lua” recebe 30 ml de fluxo, que é aproximadamente um terço da
média total produzida em cada período menstrual. Uma ligeira vedação é formada com sua
parede vaginal permitindo que o fluxo passe direto para o mooncup sem
vazamento ou odor.
Apesar de ser indicado para todas as mulheres, seu uso é recomendado principalmente para quem têm alergias e pele sensíveis, candidíase ou eczema. O “copo da lua” pode ser encontrado em dois tipos de tamanho.
Gabrielle Astier tem 22 anos e usa o mooncup há mais de um ano. Afirma ter conhecido o produto por meio de amigas. “No começo tive uma repulsa quando ouvi pela primeira vez, depois me acostumei com a ideia e resolvi experimentar e passei a me amar mais e a me respeitar também. Fizemos uma compra coletiva do produto, pois ainda não era fabricado no Brasil”. Hoje, o produto já é vendido no país por distribuidores locais.
Há também outras opções que entram neste mercado ecológico, produzidos por artesãs, e que também agradam as mulheres. É o caso do abios, absorventes de paninho 100% algodão, com facilidade e praticidade para a higiene íntima da mulher. Basta lavar corretamente e reutilizá-lo. A conscientização de usar estes produtos ecológicos é a atitude de não gerar mais lixo e experimentar novas idéias.

Bicicleta: alternativa limpa e saudável

Marina Simão vai para a escola todos os dias de bicicleta


Guilherme Dorigatti

A frota de veículos em Campinas cresceu 6,1% em 2009, de acordo com dados divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN). Quase quatro veículos a mais por hora. Com 650 mil veículos, a cidade é terceira com maior taxa de motorização no Brasil, um veículo para cada 1,6 habitantes, atrás apenas de Curitiba e Goiânia.
Além do problema dos engarrafamentos, a poluição do ar é uma grave consequência do grande número de veículos. Um cálculo feito pela Companhia Brasileira de Florestas Tropicais indica que a frota de Campinas emite por ano cerca de 1,8 milhão de toneladas de gás carbônico, e para neutralizar essa quantidade de gás, seria necessário plantar oito milhões de árvores por ano.
A bicicleta é um meio de transporte que não polui e ainda contribui para a saúde de quem a utiliza. Nesse cenário, a bicicleta desponta como uma alternativa para diminuir os impactos causados pelos automóveis.
Olivar César de Oliveira, chefe do departamento de projetos viários da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), defende a busca por meios de transporte mais limpos, como a bicicleta. “O aumento incontrolável do número de veículos leva ao aumento da emissão de poluentes e seus prejuízos à saúde da população. Assim, alternativas de transporte, como o uso de bicicletas e alternativas energéticas menos poluentes, podem trazer impactos positivos para o meio ambiente e ajudar a acabar com os engarrafamentos”.
Carlos Teixeira é um dos fundadores do grupo Campinas Ciclo Viável, que tenta promover a utilização da bicicleta como meio de transporte. Ele acredita que a bicicleta trás vários benefícios, e que os governantes devem prestar mais atenção ao tema. “A bicicleta é um meio de transporte eficaz, econômico e ecológico. Mas precisa de melhores condições de circulação. A população e o poder público precisam se conscientizar da importância disso. É necessário investir dinheiro e deixar de blá blá blá”. Carlos conta ainda, que cidades como Rio de Janeiro e Joinvile estão, aos poucos, se adaptando para o uso das bicicletas, e que os grandes exemplos do uso desse meio de transporte ainda são no exterior, como a cidade de Bogotá, na Colômbia, e países como Holanda e Dinamarca.
A estudante Marina Simão, de 16 anos, vai todos os dias para a escola de bicicleta. Ela conta que existem várias vantagens em utilizar a bicicleta. “De manha, quando eu saio de casa, tem um trânsito bem grande. Indo de bicicleta eu demoro quinze minutos para andar o que de carro levaria mais de meia hora. Além disso, contribuo para a limpeza do ar e ainda faço um exercício”.
Os grandes problemas de andar de bicicleta nas ruas são a inexistência de infra-estrutura e a falta de respeito por parte dos motoristas. Marina diz que já passou por vários sustos no caminho para a escola. “Já levei fechadas, e eles sempre buzinam e chingam. Os motoristas dos carros não respeitam os ciclistas e não percebem que quem faz mal ali é o carro dele”.
Olivar César, diz que para solucionar esses problemas, a EMDEC planeja a inclusão de ciclovias nas principais avenidas da cidade. “Todos os novos projetos de corredores desenvolvidos pela Emdec contemplam a execução de ciclovias. Os corredores do Campo Grande e do Ouro Verde, a Avenida Comendador Aladino Selmi e a ligação entre a UNICAMP e o Terminal Barão Geraldo já devem ser feitos com o espaço para bicicletas. Além disso, A promoção de atividades educativas também é fundamental para a conscientização de toda a população”.
Enquanto os planos não deixam o papel, pessoas como Marina seguem acreditando, que um dia, a bicicleta tenha a importância que merece. “Se as avenidas da cidade tivessem infra-estrutura, dava pra ir de bicicleta para qualquer lugar. Daí todos poderiam deixar os carros de lado e contribuir para o meio ambiente e para a saúde das pessoas”.