Meio ambiente é o foco do blog produzido por alunos do 6º período de Jornalismo da PUC-Campinas, resultado da disciplina Jornalismo On Line.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A polêmica do portal

por Nádia Macedo
Foram utilizados 760 mil reais para trazer à realidade o portal da cidade de Americana, deste montante 71% foi investimento do governo federal. Depois de pronto, o portal tem trazido descontentamento diante dos munícipes. Para quem não o conhece, imagine então duas estátuas nuas e obesas, cada uma de lado da avenida Antonio Pinto Duarte, segurando um arco sobre esta via.
O portal era para ser de boas vindas, o orgulho da cidade. No entanto, os moradores de Americana estão contrariados, o que deveria ser um cartão postal da cidade, virou motivo de vergonha. Para os conservadores a obra é um atentado ao pudor, e para os outros é apenas muito feio.


Divulgação



O americanense e estudante de direito Renan Faria expressa rapidamente o que sente em relação ao portal: “Essa entrada é horrível.” Já para comerciante Maurício Fernandes o dinheiro foi mal investido. “A cidade precisa de investimento em vários outros setores, como saúde e educação. Gastou muito dinheiro pra obter uma obra que causa revolta entre os moradores.”
A ideia do artista era retratar a seguinte situação: as duas figuras do monumento representam a força do imigrante, já o arco que seguram faz alusão a um pedaço de tecido, pois a cidade de Americana é um pólo têxtil.
O portal da Princesa Tecelã é um dos últimos atos da antiga administração de Americana e, agora, a nova administração esta em dúvida sobre o que fazer com o portal considerado constrangedor por muitos moradores.
Os americanenses que não foram ouvidos antes da construção, agora podem dar a opinião sobre o assunto por meio da enquête que está na internet realizada pelo conselho de cultura da cidade. Para a diretora da Secretaria de Cultura e Turismo de Americana, Maria Amera Moscon a enquete é a melhor saída. “O portal causa um certo desconforto e, para resolver a situação de uma forma mais definitiva, o conselho de cultura fez uma proposta de buscar a vontade popular”. A diretora revela, ainda, o próprio incomodo em relação ao portal. “Como cidadã eu falo que me incomoda termos como representação os gordinhos na entrada”.

Divulgação

Apesar de parecer fácil acabar com a obra, o presidente da OAB de Americana, Guilherme Martins Maluf, revela as dificuldades. “O principal é analisar o dinheiro público que,já foi gasto dinheiro. Agora é conviver com a obra e investir em outros setores.”

Conheça a enquete realizada pelo Conselho de Cultura através do site:

http://www.concult.org.br

domingo, 22 de novembro de 2009

I wanna rock ! Pela primeira vez no Brasil, Twisted Sister faz show caloroso na noite de SP

Por Thomaz Marostegan


Uma pequena fila, com cerca de 300 pessoas, se forma em frente à casa de espetáculos Via Funchal, Vila Olímpia, São Paulo. Está uma noite quente na cidade, em torno dos 26°C e, tem tudo para ser mais ainda mais quente. Ás 20h 20 os portões são abertos e a massa, agora composta por um número bem acima das 300 pessoas, começa a entrar o local. O ambiente está escuro, apenas com uma meia fase de luz.




No palco, uma bateria à frente de outra denuncia que haverá uma banda de abertura. A temperatura permanece agradável, clássicos do rock and roll são executados nos PA´s (caixas de som principais ) agradando e distraindo a platéia que aguarda ansiosa a banda que, em mais de 25 anos de carreira, nunca pisou na América do Sul. São 21h e todas as luzes se apagam, uma expectativa é criada, mas ainda é muito cedo para atração principal. Uma voz feminina é ouvida e uma moça simpática ocupa o palco, iluminada com um único flash, para anunciar uma promoção. Tudo escuro, novamente. Voltam os clássicos e, após mais duas músicas, a mesma mulher entra, novamente uma luz é acessa, e ela anuncia: “Agora, com vocês, a maior banda de heavy metal do mundo!”. Muitas pessoas estão inquietas e pensam em qual banda ela estaria falando. Passam-se alguns segundos. As luzes se apagam e ela termina sua frase: “...com vocês Massacration”. É aí que o público presente entende a piada. Trata-se de uma banda-paródia do programa humorístico Hermes e Renato da MTV.




Os integrantes usam vestimentas, trejeitos e clichês do chamado rock farofa (referente à extravagância das atitudes e roupas dos roqueiros da década de 80). As letras são paródias de músicas nem tão populares entre os roqueiros, mas que contém piadas envolvendo cotidiano e sexo e, na maioria das vezes, cantadas em um inglês enrolation. A parte instrumental é perfeita e até surpreendente. Quem está presente fica impressionado. Com força e energia, a banda cativa até mesmo os mais incrédulos. Músicas como Metal is the Law, Metal Massacre Atac e, principalmente, Metal Bucetation (cantada em uníssono pelos presentes) agitam e aquecem a platéia para o prato principal da noite: o grupo norte americano Twisted Sister.



São 21h 30. As luzes se acendem e o palco começa a ser preparado. Volta a meia fase de luz e os clássicos voltam aos alto falantes. Tudo volta a ser como antes da banda de abertura. Bom, quase tudo. Nesse momento a casa está quase lotada, todos os degraus preenchidos, a temperatura já não é tão refrescante, parece que o forno está ligado. O tempo passa e nada. O relógio bate 22 horas e nada. A simpática moça volta e distribui brindes e faz o anúncio de que a banda entrará em cinco minutos. A platéia fica em polvorosa. Mais clássicos voltam aos falantes, até que, de repente, a música cessa e começam a ser anunciadas as normas de segurança da casa de shows. Os PA´s começam a executar It´s a long way to the top, clássico do AC/DC no volume máximo e já é possível ter uma idéia do que acontecerá no próximo dia 27 no Morumbi, quando a banda ocupará o palco.

Confira no video a Introdução e o sucesso The Kids are back




Neste momento, tudo escuro e a cortina aberta. Desse modo, é possível ver o momento em que o baterista A.J.Pero se posiciona em seu kit. O palco continua apagado e a música de inspiração termina. Começam os acordes de What You Don’t Know, música de abertura de todos os shows desde 1984. O vocalista Dee Snider, com uma voz estridente, anuncia “pela primeira vez no Brasil: Twisted Sister. O público vai ao delírio, o palco pisca em flashes e é possível ver Dee Snider maquiado como nos anos 80, com as roupas e tudo mais. Seus companheiros de banda estão discretos em relação ao que eram nos anos 80 e apenas usam as roupas e os instrumentos daquela magnífica época. A primeira música nem chegou à metade e o público já está ganho.




Com a simpatia e os clássicos despejados pela banda foi difícil ficar parado. O calor que já assolava a todos se intensificou, chegando ao palco: a todo momento o vocalista ia se refrescar atrás dos amplificadores. Depois de cantar algumas músicas, o vocalista travestido se separa de sua fantasia, usando uma versão mais apropriada para o clima. Eis que chega o ponto alto do show: o mega hit da banda We´re not gonna take it, um espetáculo à parte, com uma execução perfeita por parte da banda, um som ainda mais perfeito. A atuação da platéia? Faltam adjetivos descrever o que aconteceu neste momento. Até mesmo o guitarrista e fundador do Twisted Sister, Jay Jay French reconheceu e jurou por Deus que havia sido a maior manifestação ao vivo da música em 25 anos de carreira. Ao final da música, os membros da banda se reuniram na frente do palco para agradecer e conversar com os fãs para, em seguida, munido de uma câmera portátil, o outro guitarrista Eddie Ojeda se preparar para o que viria a seguir. O vocalista anuncia que a introdução será tocada novamente para ficar registrado e foi o que aconteceu: como uma única voz, vocalista e platéia, para cantar. Um som que há muito tempo o Via Funchal não ouvia.





Ao falar em Twisted Sister é possível pensar em tudo. Com a platéia afinada e com a letra das músicas na ponta da língua, a banda começou a tocar a introdução da música The Price, uma balada com ‘ar’ romântico e o vocalista se atrasa (de modo proposital) e perde a entrada da canção. O público não se faz de rogado e inicia os vocais no momento exato, acompanhados por um sorridente vocalista que vê sua canção sendo cantada perfeitamente. Mais um show do público inspirado. Na seqüência, a banda ataca de Burning in Hell, muito propicia para o calor que fazia naquele momento. Logo em seguida mais um mega clássico, I Wanna Rock, que recebe uma versão um pouco diferente. Nela se destaca o baixista Mark Mendoza que parece duelar com seu baixo durante as canções e faz a base do refrão. A galera se empolga ainda mais. O show já está chegando a sua parte final, e a banda se despede para voltar para o bis em poucos minutos.

The Price





Na volta toca Come Out and Play, sucesso dos anos 80. Para fechar, os integrantes se apresentam ao público, agradece a recepção e se despede novamente, dessa vez parece ser definitivo. A platéia não pára de cantar e sente que está faltando uma música em especial que eles não seriam loucos o bastante para deixar de fora do Set List, trata-se de S.M.F. (Sick Mother Fuckers), uma homenagem aos fiéis fãs da banda. Agora é mesmo o fim do espetáculo.




A única vaia da noite ficou por conta de um fã argentino que jogou uma bandeira de seu país no palco e o vocalista exibiu para o público presente: tome vaia. Na seqüência, Snider mostrou outra bandeira, desta vez do Corinthians, uma divisão entre vaias e aplausos, mais aplausos, com certeza para ouvidos de um corintiano.





Durante toda a noite, diante da empolgação dos fãs apaixonados, a banda se desculpou por não ter vindo antes ao país e prometeu voltar em breve. Apenas com uma ressalva: no inverno! Como diz uma das músicas do Twisted Sister, you can´t stop rock and roll. O público, que presenciou um espetáculo inesquecível, que o diga.



Técnica de ginástica chinesa ajuda na recuperação de idosos

Por Thomaz Marostegan


Faltam cinco minutos para as 7 horas. As primeiras alunas já começam a chegar à Praça Celi Campelo, no coração do Taquaral. A pequena roda formada pelas três colegas logo começa a aumentar. Senhoras com cabelos brancos que lembram algodão, ao longe, a passos lentos chegam à roda. Todas usam uma camiseta branca – o uniforme – com o conhecido símbolo chinês Ying-Yang, que significa equilíbrio. O som da conversa torna-se cada vez mais forte. Ouvem-se risadas aqui e ali. Uma troca de receita de um bolo de milho. E uma discussão, encerrando as conversas paralelas, sobre como será a confraternização da festa de Natal. A praça já está lotada. São mais de 60 ‘garotas’. Uma filha traz a mãe à aula.






Este é o cenário das aulas de Lian Gong, realizadas todas as terças e quintas-ferias, das 7h30 às 8h30. As aulas são uma iniciativa da agente de saúde Elizabeth Aoki, que trabalha no Centro de Saúde Taquaral, algumas ruas abaixo de onde se realizam as aulas. As garotas, animadas e dispostas, em sua maioria tem mais de 65 anos e eram freqüentadoras ativas do Centro de Saúde em que Elizabeth trabalha. As reclamações de dores nas articulações, nas costas, nas pernas começaram a preocupar a agente. “Estávamos com uma demanda reprimida de reumatologia e ortopedia”, relata. “Os idosos chegavam todos os dias reclamando das dores, mas também, de depressão. Reclamavam muito da solidão, da falta de sentido da vida”, lembra.










Nesse foi momento que a Secretaria Municipal de Saúde começou a oferecer a capacitação em Lian Gong, ginástica terapêutica chinesa, que visa o alongamento profundo e a saúde física e interpessoal do praticante. A técnica previne e trata as dores no corpo, como nas articulações e musculares. Elizabeth viu a oportunidade de melhorar a situação dos pacientes sem atendimento com a aplicação das aulas e preceitos chineses. Foi assim que começaram as aulas no Taquaral.
O início, há sete anos, contava com apenas cinco alunas. O número começou a aumentar quando as aulas saíram do Centro de Saúde do Taquaral e foram para a praça. Hoje, o total chega a quase 80 alunos que se espalham por toda a extensão da área. A professora chega pontualmente às 7h30, também a pé, como a maioria das alunas. Agora há dois homens na presença das jovens senhoras. Elizabeth é beijada por grande parte das alunas, mas ela não se estende nos cumprimentos. Liga seu rádio portátil.




Uma música apenas instrumental e bem suave se propaga. O som dos passarinhos em volta completam o cenário e a aula começa. As alunas e alunos já dominam os movimentos passados por Elizabeth, de costas para o grupo. Ela começa com alguns comandos, por exemplo, “felicidade, paz. Veja a luz do sol banhando seu corpo e vamos abraçar a nós mesmos e agradecer a oportunidade de aprender. Vamos respirando”. Em seguida avisa: “vamos rodar a cintura com as mãos nos rins” e “vamos orar por nós mesmos, sorria para você mesmo, massageie o peito”.
A aula segue, durante uma hora, com as alunas seguindo fielmente a professora em todos os movimentos, até nos mais complicados que exigem equilíbrio. Ninguém deixa de fazer nenhum dos propostos. O sol já está mais forte e o trânsito na pequena rua do Taquaral começa a ficar mais intenso. Elizabeth prepara o encerramento. Novamente pequenos grupos se formam, combinam encontros. Elvira Fernandes, de 84 anos, e Iraci Brilhante, de 79 anos, pegam seus carrinhos de feira estacionados na praça e avisam as colegas que vão fazer compras. “Nós não nos conhecíamos, mesmo morando tão perto”, revela dona Elvira. “Todas as terças vamos juntas ao mercado e ajudamos uma a outra com as compras”, completa dona Iraci.






Elizabeth explica que além dos benefícios para a saúde das praticantes, a sociabilidade é importante para o sucesso da ginástica. “Elas fizeram amizade, não se trancam em casa, combinam chás da tarde, saem juntas. Isso é uma vitória”, comemora. Dona Olívia Piva, de 67 anos, viúva, relata a mudança que as aulas provocaram na sua vida. “Antes eu ficava muito em casa e as dores apareciam em toda parte. Hoje, faço o exercício, que alem de me deixar mais disposta, com menos dores, me traz felicidade de participar com tantas outras pessoas de um momento como esse. Olha que dia maravilhoso para estar numa praça, ao ar livre”, frisa. Depois dos exercícios, todos se espalham pela praça e retomam o caminho por onde vieram, com a mesma disposição de antes. Despedem-se com um “até a próxima aula”.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Academias ao ar livre: nova opção de lazer em Indaiatuba

Bruno Corrêa

A iniciativa para a criação das academias ao ar livre de Indaiatuba surgiu do prefeito Reinaldo Nogueira, visando oferecer mais uma opção de lazer e melhorias da saúde e circulação principalmente para as pessoas de terceira idade.

Por meio da Secretaria de Obras e Vias Publicas, o projeto teve início no dia 27 de setembro, sendo o primeiro ponto das academias localizado no Parque Ecológico, no cruzamento das avenidas Engenheiro Fábio Roberto Barnabé e Ário Barnabé. São seis pontos de academias concluídos este ano, e já existem planejamentos para futuras construções, como é previsto para o Parque Residencial Indaiá, o qual seria o sexto ponto a ser concluído este ano, não fosse a indicação do vereador Osmar Ferreira Bastos para que o sexto ponto localiza-se no Parque da Liberdade, assim, o Parque Indaiá está configurado como o primeiro local de academia a ser construído em 2010. O projeto inicil, ou seja, as seis academias, está orçado em aproximadamente R$ 70 mil.
Cada academia conta com nove tipos de aparelhos de ginástica, os quais são providos de tratamento especial de pintura para que não haja desgaste devido a condições naturais como chuva e exposição ao sol. No local há uma placa informativa sobre os aparelhos.


placa informativa ante-treino


Placa informativa sobre os aparelhos




Os equipamentos são os seguintes:


Simulador de caminhada, para aumentar a mobilidade dos membros inferiores e desenvolver a coordenação motora


Multi-exercitador, para fortalecer, alongar e aumentar a flexibilidade dos membros inferiores e superiores


Pressão de pernas, para fortalecer a musculatura das coxas e quadris



Remada sentada, para fortalecer a musculatura das costas e ombros


Esqui, para aumentar a flexibilidade dos membros inferiores, membros superiores e quadris e melhorar a função cardiorespiratória


Surf, paramelhorar a flexibilidade e agilidade dos membros inferiores, quadris e região lombar


Simulador de cavalgada, fortalecer membro inferiore e membros superiores e aumentar a capacidade cardiorespiratória


Rotação dupla diagonal, para aumentar mobilidade das articulações de ombros e cotovelos


Rotação vertical, para fortalecer os membros superiores e melhorar a flexibilidade das articulações dos ombros


O aposentado José da Fonseca Antonello, 67, comenta ter melhoradi física e psicológicamente agora que frequenta uma academia ao ar livre "A gente fica com mais disposição, se sente mais leve, se distrai dos problemas", diz. A academia, avalia, "é boa para a saúde e para o bolso também, ainda mais para quem não tem condições de frequentar uma academia paga".


O secretário de Urbanismo e do Meio Ambiente, Nilson Alcides Gaspar, diz que existe a previsão para a construção de mais 20 academias para o ano de 2010. "Isso se não instalarmos mais porque o projeto foi muito bem recebido pela população e as academias estão sempre cheias", relata.

As seis academias previstas no projeto inicial já estão em funcionamento e podem ser utilizadas a qualquer horário. Elas se situam no Parque Ecológico, no cruzamento das avenidas Engenheiro Fábio Roberto Barnabé e Ário Barnabé; no Parque Ecológico, nas proximidades da Concha Acústica; na Praça Três Marias; no bairro Cidade Nova 2, na avenida Conceição; na Praça do Guri, no Jardim Morada do Sol; no Parque Ecológico, nas proximidades da Raia de Remo, de frente ao Jardim Monte Verde; e no Parque da Liberdade.

Produção de vídeo inclusivo traz expectativa de interação nas salas de aula


Por Mariana Bottan


Como mostrar o som àqueles que vivem no universo do silêncio? Foi em busca desta resposta que a jornalista Julyana Troya, em parceria com a ONG Vez da Voz de Campinas, trabalhou para desenvolver um vídeo pedagógico destinado à educação inclusiva de crianças com deficiência auditiva. O objetivo do projeto, pioneiro no Brasil, é o de servir como instrumento de interação entre crianças com e sem deficiência auditiva para ser utilizado por professores de educação especial nas salas de aula.
“O som do silêncio” por ser de caráter experimental ainda não foi disponibilizado para os alunos. Uma equipe de pedagogia especial da Unicamp verifica o conteúdo pedagógico a fim de mensurar as respostas a esse tipo de vídeo. Julyana Troya, responsável pelo roteiro do vídeo, lembra que não existe nenhum material pedagógico nos moldes como o vídeo foi produzido, especializado para a comunidade surda. “Desenvolvemos um formato específico em que o intérprete de libras está em primeiro plano e é intercalado com ilustrações que compõem a narrativa. Nós tivemos que aprender com os próprios erros porque não havia nenhum modelo que pudesse ser seguido”, explica.
A principal dificuldade na criação deste trabalho foi desenvolver um formato especial adequado às crianças surdas e que pudesse, ao mesmo tempo, ser compreendido por crianças sem deficiência auditiva. “O objetivo principal era fazer um vídeo efetivamente inclusivo, que gerasse interação”, relata a jornalista. A solução adotada foi disponibilizar no menu do DVD uma opção com áudio e legenda e outra com intérprete de Libras..

Educação Especial no Brasil

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 1,5% da população brasileira (2,25 milhões) com deficiência auditiva. De acordo com o estudo da Secretaria de Educação Especial, em 2007 o Brasil atendia a cerca de 700 mil pessoas com surdez nos diversos níveis e modalidades de ensino, distribuídas entre escolas especiais para surdos, escolas de ensino regular e ONG's.
De acordo com Marina Almeida, psicóloga que atua como consultora em Educação Inclusiva há 23 anos, a falta de materiais para alunos com necessidades educacionais especiais não é o único problema. “A principal questão é técnica, ou seja, é o educador que não sabe identificar as necessidades de aprendizado individuais e de cada grupo específico de deficiência. O professor tem que saber como adaptar a forma de ensino à maneira que cada um constrói o conhecimento”, explica Marina Almeida.
Marina Almeida fundou em 2006 o Instituto Inclusão Brasil e aponta o preconceito como o principal entrave para uma política educacional efetivamente inclusiva. “As pessoas têm que começar a mudar o modo de olhar o outro”, frisa. Em sua opinião, é necessário que o educador aprenda com o aluno inserido em seu mundo “e não encará-lo como uma tábula rasa”. Para ela, nas salas de aula devem haver uma relação de mão-dupla entre professor e aluno. “Temos que romper com certos estigmas e saber reconhecer a competência de cada um e não o déficit”, finaliza Marina.

Os templos mudaram

Se antes eram templos da arte, hoje os cinemas deram lugar ao consumismo e a templos de oração

por Nádia Macedo

Depois de 26 anos, a última sala de cinema no centro de Campinas que resistia as modernidades e a possibilidade de ser instalada em um shopping, se uniu aos antigos prédios cinematográficos e fechou as portas. A seção que encerrou a programação do Cine Paradiso foi realizada no dia 29 de outubro. Os idealizadores deste cinema alternativo, Hélcio Enriques e Laércio Júnior, decidiram fechar as portas por uma série de razões, entre elas a degradação da área central, que levou a falta de público e consequentemente o desastre financeiro para se manter um cinema aberto.“Eu encaro o fim do Paradiso como o fim de uma era e não o fim de tudo. Continuamos a buscar incentivos.”, alerta.
Os cinemas antigos, assim como o Cine Paradiso, foram perdendo público, investimentos e espaço. A causa disto, segundo o historiador da Secretaria de Cultura de Campinas, Orestes Augusto Toledo, é a procura pelo lucro, o que acabou por transformar o ambiente cinematográfico em um ramo de negócio.
Foto MIS Campinas
Fotografia histórica do Antigo Cine Voga
Os cinemas, decorrente da procura exacerbada pelo lucro, se deslocaram para os shoppings e passaram a dar lugar às igrejas evangélicas e lojas de grande. Como é o caso do Cine Voga, o cinema campineiro que antes se localizava no cruzamento da Avenida Anchieta com a Rua General Osório e que hoje abriga a “Igreja Mundial do Poder de Deus”. Ao entrar na igreja é possível perceber que, além do prédio, os assentos deste cinema também foram preservados. Assim como o Cine Voga, o prédio do antigo Cine Carlos Gomes, localizado na Rua Campos Salles, também hoje é ocupado por outra igreja evangélica, a Igreja Universal do Reino de Deus.
Para Toledo, nos dias de hoje a maioria dos cinemas se localiza em um ambiente mercadológico. “Os shoppings são os templos do consumismo, e é neste ambiente que os cinemas estão inseridos”, conta Orestes.

Nádia Macedo

O prédio do antigo Cine Voga dá lugar hoje a uma igreja evangélica


Segundo o historiado e amante do ambiente cinematográfico, o shopping favorece a veiculação de filmes que têm características mercadológicas. No entanto, ele ressalta que existem produções de qualidade, mesmo sendo minoria diante de grande parte que ele considera ‘lixo hollywoodiano’. Toledo revela, ainda, que a indústria e a arte são ambiguidades que envolvem a produção dos filmes cinematográficos. “A força ava­ssaladora da mercadoria e do lucro coloca, muitas vezes, em cheque os princípios do cinema enquanto arte. Mas seria incoerente afirmar que a ‘arte pela arte’ é totalmente viável financeiramente”. Para ele, o maior problema destes cinemas que se localizam no shopping é que o filme acaba sendo visto como mais um produto, um acessório a mais neste ‘templo do consumo’. “Como as classes populares não têm condições para tamanho consumismo, são inevitavelmente excluídas dessa realidade”, avalia.
De acordo com o historiador, a pirataria é uma consequência dessa exclusão e representa uma alternativa para acesso das classes com menor poder aquisitivo à produção cultural cinematográfica. “Os camelódromos não são piratas, piratas são as indústrias que criaram uma propriedade privada, privando as pessoas de um bem cultural”.
Apesar dos cinemas estarem inseridos em um mundo capitalista existem, ainda, aqueles que resistem a essa dominância mercantil. São os chamados cinemas alternativos, onde são exibidos filmes de maior profundidade artística. Em Campinas, esse tipo de filme pode ser encontrado nas sessões do MIS (Museu de Imagem e Som). “Neste cinema de resistência é possível assistir aos filmes que não chegam às telas em razão da censura do mercado”, explica Orestes Toledo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Novos escritores sentem dificuldades em publicar o primeiro livro


Por Carolina Marialva

Com o sucesso de best-sellers, principalmente os de ficção, como Crepúsculo e O Código Da Vinci, que levam seus autores ao reconhecimento e popularidade, e, em alguns casos à se tornarem milionários – como JK Rowling, a criadora de Harry Potter - muitos aspirantes a escritores ficam maravilhados diante destas possibilidades e se inspiram a escrever e a lançar seu primeiro livro. Porém, quem vai com muito entusiasmo pode se desiludir na hora de encontrar uma editora para publicar.

O produtor cultural e escritor novato Felipe Tazzo passou pelo sufoco de ver seu primeiro título nas livrarias. “Quando moleque eu tinha ilusões de que fosse contratado por uma editora e eles lidariam com a burocracia, as vendas. Eu ficaria rico como o Paulo Coelho e seria assediado na rua pelas fãs”, conta. Porém, quando enviou os primeiros manuscritos Tazzo sentiu-se frustrado com as respostas, e com a falta delas também. Cansado de esperar, ele decidiu inscrever o projeto de seu livro no Fundo de Investimentos Culturais de Campinas e conseguiu a verba para publicar sua primeira obra O Livro das Coisas que acontecem por aí.

Felipe Tazzo se prepara para lançar o segundo livro

A exemplo de Tazzo, os escritores não precisam ficar anos esperando a resposta de uma editora, há outros meios para se publicar um livro. Existem dois tipos de editoras, as comerciais, como são chamadas as grandes, mais conhecidas, como a Companhia das Letras, a Papirus, a Rocco etc. E a edição do autor, o qual depois de terminar sua obra paga para a produção sair no mercado. Este é um processo rápido e fácil, mas que exige um investimento por parte do próprio autor que varia de acordo com o projeto gráfico. Este tipo de editora segue um cronograma mais flexível, de acordo com as necessidades do autor, diferentemente das editoras comerciais, que possuem um planejamento próprio e segue um cronograma para a escolha das obras que serão publicadas.

O primeiro livro de Tazzo


Segundo a jornalista Cyntia Belgini, que está há oito anos trabalhando no mercado editorial, publicar um livro é um processo demorado que envolve uma série de etapas. O primeiro passo, aponta, é pensar na linha editorial da editora, se combina com a linha editorial do livro a ser publicado. “Se eu tenho um livro sobre educação, eu tenho que mandar para uma editora que publique livros de educação. Não adianta eu ter um livro voltado para o mercado educacional e mandar pra quem publica romance”, avisa ao salienta que esta é a primeira etapa para a exclusão por parte da editora.

A jornalista Cyntia Belgini está há 8 anos no mercado editorial


Aceito pela editora, o livro é avaliado por um conselho editorial. Os critérios envolvem o sumário, os organizadores, se há unidade editorial. Depois, o material passa por um parecerista, alguém especializado na área e que vai dizer se o livro merece ser publicado. Se passar por estas etapas, aí sim a obra pode ser aceita pela editora e assim entra em um cronograma de produção, que envolve revisão e diagramação. Depois vem a fase do projeto gráfico, a confecção da capa, do design do livro e, por fim, a assessoria de comunicação, ou o marketing, para fazer a divulgação e preparar o lançamento antes de ir para as livrarias.

Na avaliação de Cyntia, há “muita recusa por parte das editoras” e muitos escritores se sentem mal ao receber a mensagem de que sua obra não foi aceita. Como aconteceu com o escritor José Oliveira, até conseguir lançar o livro O Réu dos Sonhos. “Uma editora recusou o livro depois de 21 dias alegando que não se enquadrava na linha editorial deles. Mas não leram o original. Sei disso porque coloquei um pingo de cola a cada 10 páginas no rodapé, e eles estavam intactos. Se tivessem lido, haveria o rompimento da cola. Me senti muito mal em saber que essas pessoas brincam com os sonhos de outras,”lamenta.


José Oliveira mostra orgulhoso seu livro publicado depois de muito sufoco


É raro um livro ser escolhido na primeira vez que o autor o envia, pois além do custo, há o risco do livro não dar certo no mercado. Se houver um feedback negativo, dificilmente o autor da obra terá um novo livro publicado. Deste modo, ultimamente, as grandes editoras preferem traduzir obras estrangeiras que já possuem algum sucesso, a investir em uma nova produção nacional.
De acordo com o dono de uma filial da FTD, Rivail Alves, as editoras trabalham com uma programação pré-estabelecida em torno de dois a quatro anos que envolvem temas, faixa etária, literatura infanto e ou juvenil, adulta. “Os originais que chegam para análise devem estar dentro desta programação, senão serão recusados”, alega.


Por isso cada vez mais os aspirantes a escritores tem procurado investir dinheiro do próprio bolso com a edição do autor. “Meu primeiro livro publicado foi em parceria com a editora. Eu banquei 1/3 do valor”, revela Nelson Magrini, que hoje possui três livros publicados, todos de ficção, Anjo a Face do mal, Os guardiões do tempo e Relâmpagos de sangue, além de ter participação em uma coletânea de contos, Amor vampiro. Ele conta que enviou seu primeiro livro para várias editoras e todas recusaram. “Uma minoria mandava um e-mail padrão com a recusa, algumas outras por carta; a maioria simplesmente não falava nada”, lembra.


Mesmo com as recusas, Magrini não desistiu. “Eu estava muito ‘pé no chão’ e sabia que era muito difícil emplacar um livro no Brasil”, fala. Ele descobriu a editora Novo Século por meio do livro de André Vianco, Os Sete, que fazia sucesso. Assim, ficou amigo do escritor e decidiu que queria publicar naquela editora, por ser a única a dar chance para um autor nacional. Porém, como a Novo Século também é prestadora de serviços, cobrou para publicar.



Nelson Magrini em noite de autógrafos


Esta opção, de bancar a obra, está cada vez mais comum devido às dificuldades de se publicar em uma editora de grande porte. Neste caso, além dos custos, o próprio autor tem que comercializar seu livro, divulgá-lo e oferecer para as livrarias..O processo é facilitado com a internet, como afirma Cyntia. “Tem várias formas hoje twitter, orkut, blogs, google books. Estas ferramentas possibilitam que você divulgue trechos, resumos e faça uma publicidade gratuita,”diz. Apesar do trabalho, a edição do autor tem a vantagem de poder gerar um retorno financeiro de todo o investimento e ainda os direitos autorais ficam exclusivamente com ele. “Se você manda para uma editora que paga a sua produção, geralmente, 90% do direito autoral fica com o editor, o autor fica apenas com 10% de cada livro vendido,” esclarece Cyntia.

Oliveira: um sonho em papel

Segundo a jornalista, vender livro no país nunca foi fácil e hoje em dia tem sido uma “guerra” entre as editoras, que estão cada vez mais contendo gastos. “A gente tem um numero baixo de leitores e o preço do livro é caro. Então tudo isso faz com que o mercado não seja muito promissor para o autor”, completa. Mas ela aconselha os novos escritores a não desistir e sim a ter paciência e a pesquisar as editoras para enviar seu trabalho e até mesmo a investir na edição do autor.



Magrini e fã no lançamento de seu último livro, Os Guardiões do tempo

Apesar das dificuldades aqueles que se arriscaram e persistiram hoje não se arrependem. “Nunca pensei em desistir”, comenta Nelson Magrini “Eu mal acabei de escrever meu primeiro livro e enviar o original, comecei a escrever o segundo”. José Oliveira tem a mesma opinião: “Nesse meio, tudo é demorado, estou ciente de que é difícil entrar e muito mais difícil se manter, mas desistir, jamais”, pondera. Para ele, a maior satisfação de um escritor é ver seu livro nas prateleiras, concorrer a prêmios, ser convidado para noites de autógrafos, dar entrevista e ser reconhecido pelos fãs. “Ser escritor era um grande sonho, me manter nessa jornada é o grande desafio. E o que mais me motiva hoje é receber e-mail de leitores sobre meu trabalho”, conclui.

Ouça a entrevista completa com Cyntia Belgini


sábado, 14 de novembro de 2009

Documentário revela saúde bucal do brasileiro

Lançado no final de outubro, o documentário Boca a Boca mostra o país dos desdentados.

Idealizado por Fábio Bibancos, criador da ONG Turma do Bem, o documentário é o primeiro no mundo a falar sobre a saúde bucal de um país. A estréia foi simultânea em 220 cidades brasileiras e em nove países da América Latina no dia 26 de outubro. Na cidade de Pedreira, cerca de 200 pessoas entre dentistas e pessoas comuns compareceram à estréia.
Intitulado Boca a Boca, o filme levanta questões como: porque itens como escovas de dente e pasta não estão na cesta básica? Ou quando os brasileiros terão direito a dentes saudáveis? Através dessas indagações, o filme tem como foi condutor histórias de seis crianças e jovens com problemas bucais atendidas pelo projeto “dentistas do bem” da ONG Turma do Bem. Dentistas que participam desse projeto comentam o que vêem todos os dias em seus consultórios, além de relatos de representantes do governo e pessoas comuns.
O projeto Dentistas do Bem atende crianças de baixa renda com problemas bucais. O cirurgião-dentista que coordena o projeto de cada cidade faz uma triagem nas escolas públicas e através dessa seleção essas crianças e jovens são atendidos gratuitamente pelos dentistas que participam do projeto em seu próprio consultório. O tratamento é de caráter curativo, preventivo e educativo. Em Pedreira a coordenadora há dois anos é Bruna Ganzarolli, segundo ela quando a criança é selecionada os pais não acreditam. ”Eles não acreditam que é 100% de graça, até você explicar que o filho vai ter tratamento bucal de graça até seus 18 anos, muitos demoram a entender”.
O vice-presidente do projeto Leonardo Ganzarolli explica que o projeto só atende a crianças e jovens de até 18 anos pois é a idade em que muitos problemas aparecem e quanto mais esses problemas crescem, mais interferem na vida dessa criança ou desse jovem.”O dentistas do bem trabalha com a faixa etária de 5ª a 8ª série, o critério de escolha que utilizamos beneficia as crianças com problemas bucais mais graves, mais pobres e mais próximas do primeiro emprego, pois é a fase onde a auto imagem é de suma importância.”
Na cidade de Pedreira existem cerca de 50 cirurgiões-dentistas, porém apenas 15 participam do projeto. Segundo a coordenadora, o documentário tem a finalidade de chamar a atenção não só de autoridades, mas dos próprios dentistas para que participem do projeto e façam a diferença.
Antonio Bonetto Junior, cirurgião-dentista que esteve na estréia e participa do dentistas do bem em Pedreira acrescenta: “Eu sabia da importância do que estamos fazendo, mas não sabia que a saúde bucal do brasileiro estava tão péssima”.
Segundo dados da Associação Brasileira de Odontologia existem 25 milhões de desdentados no Brasil, país que mais forma cirurgiões dentistas por ano. Hoje são 220 mil dentistas brasileiros, apenas 6 mil participam do dentistas do bem. “Não queremos substituir o governo, queremos chamar a atenção e ajudar a reverter esse quadro. O brasileiro prefere tirar todos os dentes da boca do que ter alguns dentes com dor, o documentário serve para isso, chamar a atenção dos dentistas, expor o projeto para a sociedade e alertar as autoridades” enfatiza Leonardo Ganzarolli.
Para Ana Cláudia Zonzini que assistiu á estréia e não tem relação com odontologia, o documentário é essencial para que as autoridades façam algo:”a maioria das famílias não tem condição de pagar qualquer que seja o tratamento bucal, é muito caro, mas quem sabe o governo acorde, enquanto isso essa ONG ajuda nossas crianças a ter uma saúde melhor agora e no futuro”.
O projeto Dentistas do Bem foi criado em 2002 pela ONG Turma do Bem, desde a sua criação já atendeu cerca de 12.000 menores nos consultórios particulares de 5.800 dentistas espalhados por todo o país. Mais de 70.000 jovens já foram triados no país.



Por Juliana Lazarini


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POR JULIANA LAZARINI